Cringe da cabeça aos pés – e tenho vídeo provando

Nas últimas semanas uma palavra até então quase desconhecida pela maioria tem encontrado lugar de destaque nas discussões pela internet: cringe. Do inglês, cringe pode ser interpretado como vergonhoso ou embaraçoso. Na internet, a discussão se deu por uma constatação desconcertante: os jovens, da geração Z, acham que boa parte da cultura dos adultos, millennials, é cringe.

Quase sempre que comparamos hábitos geracionais, algum estranhamento vem à tona. Quem nunca se pegou pensando: “como ele pode pensar assim?” ou: “eu jamais faria isso dessa forma” quando analisando alguns hábitos dos mais velhos, que atire a primeira pedra. Pois é… agora chegou a vez dos millennials se colocarem no lugar destes mais velhos (tristeza rsrs). Nascidos entre 1980 e 1995, os millennials contribuíram muito com boa parte do que hoje achamos essencial em nossas vidas, talvez por isso tenhamos pouca chance de nos referirmos como uma geração passada, há a sensação de protagonismo (sim, eu também sou millennial e também fico chocado quando penso nisso). A polêmica sobre o tema veio à tona quando alguns membros da geração Z, nascidos entre 1995 e 2010, resolveram listar o que eles acham cringe na geração antecessora. Estava instaurado o caos.

Tomar café, usar calça jeans skinny, gostar de Harry Potter, ouvir Sandy e Jr, pagar boletos, postar que a academia “tá paga” e usar rsrs para dar risada na internet são algumas das coisas vistas como embaraçosas pelos mais jovens (pausa dramática para se perceber dentro da maioria dos elementos listados).

Mágoas à parte, fiquei pensando aqui sobre como a tecnologia se relaciona com este olhar dicotômico, que separa as coisas entre as do passado e as atuais… me parece que tudo o que eu estudei é cringe rsrsrs. No final da década de 1990 e no início dos anos 2000 era super cool (para usar um termo em inglês) estudar sobre Realidade aumentada. As principais universidades no mundo se dedicavam ao desenvolvimento desta tecnologia. Paralelamente, havia muita pesquisa em visão computacional, big data e data mining. Atualmente, me parece que algumas coisas mudaram. É bastante natural que quando uma área do saber se esgote outras nasçam e passem a receber atenção dos pesquisadores, mas não sei se é o caso… fato é que as tecnologias “geração Z” estão por aí e nós, millennials, também precisamos nos adaptar ao que o mercado valoriza: Voice processing, Data science, Machine learning, Cybersecurity e outras linhas recentes. 

E para provar que devo ser um cringe da cabeça aos pés, deixo um vídeo: o ano era 2009 e eu, jovenzinho, queria apresentar o meu projeto de mestrado para a banca avaliadora enquanto eles liam a minha dissertação, então gravei e editei este vídeo. Reparar na música de fundo, no design da aplicação, na tecnologia empregada e na edição caseira rsrs. 12 anos se passaram e continuo aqui, firme no time da RA e computação gráfica…

Enfim, cringe ou não, o mais interessante é perceber que está tudo bem, millennials ou geração Z, há espaço para todos. E também para todas as tecnologias, ainda que talvez exija algum esforço para se provar (para um recrutador, por exemplo) que A é igual a B, ou que a tecnologia Z é derivada de Y.   

Uma resposta para “Cringe da cabeça aos pés – e tenho vídeo provando”

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *